Novidades!

Novidade no Blog, amiguinhos! Fiz algumas reformas e melhorias nele.

Agora as postagens na página inicial não aparecerão por inteiras, apenas um resumo. Clicando na postagem você será encaminhado para a leitura completa do texto, como já fez para ler este!

"Mas para quê isso?"

Isso vai ajudar a vocês acharem mais fácil o box de comentários, facilitando para que o façam. E já emendando a nova melhoria, os comentários agora são integrados com seu perfil do Facebook. Assim, não é necessário preencher um monte de coisa e facilita que eu saiba quem é a pessoinha que comentou!

Infelizmente, isto teve um custo. Tive que apagar todos os comentários já feitos nos textos. Porém, isso abre uma nova chance de você ler algo que ainda não leu e comentar :D

Mais uma coisa: O blog passou por muitas mudanças ao longo do ano. Sempre ficava indeciso sobre o conteúdo que seria disponibilizado. Agora ele está mais focado no que de fato eu amo fazer: escrever contos, textos e poemas sobre nossa vida e o dia a dia.

Tudo isso foi realizado graças ao feedback de vocês!
Espero que gostem das novidades e aproveita e já comenta aqui embaixo o que achou!

Um abraço de urso e um final de semana maravilhoso!
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Carta do Futuro

Olá, a quem estiver lendo.

Escrevo esta carta do futuro e venho para deixar um aviso,
ou quem sabe um alerta para que você possa fazer algo à respeito.

Não venha para cá.

Algo aconteceu que as pessoas se perderam no meio do caminho.
Algumas pessoas dizem que é culpa do dinheiro, do capitalismo e do mau governo.
Outras dizem que é a falta de educação e bom senso.

O que eu digo?

Isso tudo é falta de amor.

Espero que ninguém me veja escrevendo estas coisas, pois como homem
que sou, jamais poderia estar escrevendo sobre este assunto.
Aqui os homens acham que não devemos falar de amor. De sexo, sim. Sempre.
Aqui as mulheres acham que homens que falam de amor são muito sensíveis.
Logo, não poderão dar à elas o que querem.

Muitos outros sentimentos e reações são ditos em alto e bom tom.

Raiva.

Briga.

Vingança.

Xingos.

Mentiras.

No futuro, meu amigo, as coisas não estão nada boas.

Se você conquista algo grandioso, as pessoas logo querem tomar
ou mostrar que a conquista nem foi tão grande assim, que você não fez
mais que a obrigação e você deve ter conquistado com muito dinheiro,
comprando alguém. Nunca pelo seu esforço.

Sempre tem alguém que não gosta do que você faz.
Bom, isso sempre foi assim, mas aqui as pessoas sentem prazer em dizer
isso pra você e muitas vezes sem nem te conhecer ou saber
como seu trabalho foi feito.

Aqui nós temos algo que chamamos de "Redes Sociais".

A ideia inicial era de juntar os amigos em um ambiente digital, trazer para
perto pessoas que estão longe. Compartilhar momentos felizes com eles,
coisas engraçadas, piadas, vídeos interessantes. Infelizmente se tornou
uma arma mortífera.

Ela já acabou com relacionamentos de meses e de anos.
Já destruiu amizades e humilhou pessoas.
Já foi usada para disseminar a raiva e o preconceito.
Já foi usada para o mal.

Aqui, apesar de termos todo o conhecimento em nossas mãos,
através de muitos livros e da internet, o que deveria transformar pessoas
em seres mais inteligentes, ela parece estar moldando pessoas mais rasas.
Pessoas com muita opinião sobre tudo, mas sem fundamentos.

Aqui não existe Nós.
Aqui existe Eu.
E ai daquele que interferir no que Eu acho. No que Eu penso.
Te processo. Te tiro dinheiro. Destruo sua vida.

Agora me diz se isso tudo não é falta de amor?

Os poucos que ainda dão valor a isso, sentem vergonha em despedir-se
dizendo "Eu te amo" para quem está do outro lado da linha.
Dizer pessoalmente é algo muito constrangedor e não deve ser feito em público.
É cafona. É coisa de gente velha.

Fazer o bem é interesse.

Números são mais importantes que qualidade.

Por isso, meu amigo, peço para que tenha cuidado.
Escrevo esta carta na data de 18 de Julho de 2016.

Se puder, não venha para cá.

Mas se tiver que vir...

Traga mais amor, por favor.

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Primeiros e Últimos Passos


Saulo fechou a porta de sua nova casa. Era o primeiro dia deles
naquele novo lar, onde ali formariam uma família.

Eliana não parava de sorrir com a felicidade do momento. Depois de tantos
anos morando com seus pais e seu irmão mais novo, ela conquistou
sua independência. Um breve filme de toda sua luta com Saulo para chegar ali
passou pela sua cabeça. Uma lágrima de conquista escorreu-lhe pelo rosto.

Saulo colocava as últimas malas no chão da sala. Ele respirava fundo, como
quem acaba de descobrir um lugar novo e quer sentir o cheiro de novidade.
Seguiu Eliana pelos cômodos e afirmava com um sorriso: É tudo nosso!
Saiu da casa de seus pais para esta nova etapa de sua vida. Chefe de família.

O dia para eles foi tão feliz como há muito não tinham vivido.
Tinham feito o almoço na cozinha deles e comido na mesa deles.
Saulo agora lia seus e-mails em seu próprio escritório e Eliana lia seus
livros sentada em sua própria varanda.

A noite, deitados na cama, conversavam sobre todos os planos que
poderiam fazer, agora que moravam juntos. Agora que tinham suas
próprias coisas e responsabilidades. Pensaram no possível e no impossível.
O sono logo veio e dormiram.

No meio da madrugada, Saulo acordou e viu Eliana na varanda.
Sem entender o que ela fazia ali, se aproximou e perguntou:

- Ei, o que foi, amor?

Ela virou-se para ele. Seu rosto estava molhado e triste.

- Desculpe, Saulo, eu acho que te acordei com meu choro. Me desculpe!

- Tudo bem, Li, não se preocupe com isso. Mas porque você está assim?

Eliana botou-se a chorar novamente e abraçou Saulo, dizendo:

- Eu estou com medo, Saulo. Estou com muito medo.

- Medo? Mas medo do quê?

- E se nada der certo, amor? Acordei porque minha cabeça não parava
de pensar em tantas coisas ao mesmo tempo. Nós dois conquistamos essa casa
e vamos viver juntos agora. Estou feliz com isso, ao mesmo tempo
que não sei se vou conseguir. É uma mudança muito drástica. Quero dizer,
agora não vou mais acordar e ver minha família, entende?

Saulo sentou-se na cama com Eliana e pediu para que prosseguisse com
o que dizia. Pediu para expor tudo o que a incomodava.

- Ser mãe? Saulo, eu não sei nem cozinhar direito. Como eu vou poder ser
uma boa mãe? Eu nem sei cuidar de mim direito. E essa casa? Como vamos
mantê-la? E se você ficar desempregado, ou pior, ambos ficarem? E se eu não
for boa o suficiente e você me deixar sozinha?

Saulo levou seu dedo indicador aos lábios, em sinal de silêncio.

- Li, antes de mais nada, agora não é mais você ou eu. É nós. Eu escolhi passar
o resto da minha vida com você, não importa o que acontecer. Você não vai
ser mãe sozinha, vou estar aqui para ser o pai e será uma excelente mãe.
Se você não sabe cozinhar, então vamos aprender juntos. Se eu ficar
desempregado, faço o que for necessário para não faltar comida na sua boca.
E jamais... jamais tenha medo de eu te deixar sozinha. Vou estar com
você sempre. Até o fim. Entendeu?

Saulo sorriu. Enxugou as lágrimas de Eliana com o lençol da cama, que a fez
sorrir também. Pediu para ela se acalmar e foi até a cozinha. Pouco tempo
depois, voltou com um copo de água. Ela tomou devagar, enquanto ele acarinhava
seu cabelo.

- Agora vamos, amor. Temos uma longa vida pela frente. Vou deitar com você
e prometo só dormir quando você tiver ido primeiro. Ficarei te vigiando para
nenhum monstro te devorar, ok?

- Bobo! - Ela disse rindo e foram se deitar.

Ficaram abraçados. Saulo sussurrou no ouvido dela: "Vai dar tudo certo!".
Ela fechou os olhos e logo adormeceu. Enquanto isso, ele pensava
em tudo que Eliana havia dito.

Deixar toda sua vida antiga para trás. Seus pais já não estão no quarto ao
lado para correr quando algo acontecer. Quando ficar doente, já não terá
os chás milagrosos que só a mãe dele sabia fazer e nem terá os conselhos
sábios do seu pai a qualquer momento do dia.

Ele também preocupou-se. Estava no mesmo barco. Porém, como prometido,
assim que ela começou a respirar profundo, distante, também fechou os olhos.

***

50 anos havia se passado e Saulo abriu os olhos. Acabou pegando no sono sentado
na poltrona que estava ao lado da cama onde Eliana estava deitada, naquela sala fria
de um hospital. Eliana, com os aparelhos ligados em torno dela, fixava o teto e
chorava sobre o travesseiro. O aparelho que lia seus batimentos, estava agitado
e Saulo preocupou-se.

Com dificuldade, aproximou-se dela e, percebendo suas lágrimas, perguntou:

- O que houve, Eliana? Você está bem? Quer que eu chame a enfermeira?

- Não, eu estou bem. Só estou um pouco nervosa. Estou com medo.

- Medo? Mas medo do quê?

- Talvez eu não acorde amanhã, Saulo. Não quero dormir.

Ele foi até o outro lado da cama, tirou os sapatos, colocou seus óculos na
cômoda ao lado...

- O que está fazendo, Saulo?

- Vou me deitar com você, é claro!

- Mas os médicos podem não gostar da ideia.

- Não se preocupe. Está de noite! Ninguém virá aqui.

Bem devagar e cuidadosamente, Saulo se deitou ao lado de Eliana,
abraçando-a e cobrindo-se com o lençol. Ela ria com o esforço que ele
fez para conseguir. "Seu velho bobo!" - Ela disse. No momento em que
se acomodou, os batimentos dela acalmaram-se.

- Você viu? Nosso filho Cláudio trouxe aquelas flores. Disse que foi o Juninho que
escolheu. Tem bom gosto nosso neto, não? E a Paula veio mais cedo, enquanto
você dormia e trouxe algumas fotos nossas, de toda família reunida. Disse que
o quarto estava um pouco sem graça. E mandou dizer que você é a melhor
mãe do mundo! Não é legal?

Eliana estava sorrindo, vitoriosa. Parou de chorar e fechou os olhos
com Saulo falando.

- Vou ficar aqui te vigiando para nenhum monstro te pegar, meu amor.
Só vou embora quando você for. Vou estar com você sempre. Até o fim.

Os batimentos de Eliana cessaram.

Uma lágrima escorreu dos olhos de Saulo e sussurrou:

"Deu tudo certo!"
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Sincronicidade


Estava na minha longa jornada até a faculdade, dentro do ônibus,
quando o mesmo parou em um ponto e nele subiu uma mulher muito bela.
Aproximou-se de onde me sentava e, com um sorriso radiante,
pediu licença para sentar-se ao meu lado.

Concedido.

Sua simpatia me conquistou e naquele momento pensei:
Preciso retribuir isso. Parabeniza-la de alguma forma.

Há pouco tempo, aprendi a dobrar Tsurus, aqueles passarinhos
feitos de origami. Com meus exercícios para aprender à faze-los,
minha bolsa anda cheio deles. Ótimo, vou dar um desses para ela,
assim como estou fazendo para com quem gosto. 

Relutei muito. Comecei a ficar nervoso.
Não tenho costume de abordar pessoas assim.

"Para quê você vai fazer isso? Não vale a pena.
Ela nem vai se importar. Sem falar que você vai
se sentir um tonto depois que entregar."
Pensei muitas coisas negativas. Talvez seja onde errei.

O impulso foi maior.

Pedi licença e falei:

- Moça, posso te entregar um destes origamis? Dou para quem
considero ser uma pessoa bonita e simpática, como você.

Ela olhou para o Tsuru, olhou para mim...
Não sei se o nervosismo me ensurdeceu e não ouvi um "Obrigado",
ou ela realmente não disse. Tudo bem. Pegou, guardou na bolsa
e segui viagem me achando um tonto.

Não senti reciprocidade no que fiz. Ela não recebeu com o mesmo
carinho com a qual eu dobrei  e entreguei aquele Tsuru.

Fiquei amuado.

Durante todo o trajeto fui pensando em como as pessoas,
nos dias de hoje, andam desconfiadas e sempre acham que
há algum tipo de malícia ou segundas intensões em gestos
simples, como receber um Tsuru ou como puxar uma conversa.

Estamos regredindo.

Não só por este episódio, mas por tantos outros que ouvimos,
descobrimos como estamos esquecendo da gentileza.
Pequenas coisas, que não custam absolutamente nada,
sendo desvalorizadas de forma tão rude.

Porém, a vida fez o favor de me retribuir.

Dois dias após o ocorrido, tive um dia estressante no trabalho.
Mesmo trajeto, mesmo cansaço de sempre. Desanimado.
Para ajudar, chovia. Para variar, estava sem guarda chuva.

Do ponto até minha faculdade, caminho alguns metros.
Não há cobertura para fugir da chuva. O jeito é chegar molhado.

Caminhando, no meio de um monte de gente, uma garota estava
do meu lado, protegida pelo seu guarda-chuva. Foi então que
recebi um presente.

- Moço, você está indo para a faculdade?
- Sim, estou.
- Quer uma carona?

Imediatamente abri um sorriso e disse:

- Claro! Muito obrigado! É muito gentil da sua parte!

Compartilhamos sua cobertura até chegarmos.
Fomos conversando e trocando informações básicas
à respeito um do outro. Seu nome, por sinal, é lindo.

Na entrada, me despedi com mais um "Obrigado"
e ela com um "A gente se vê por ai!"

Meu dia, finalmente, havia ganhado um pouco de cor.
Meu ânimo reavivou e tive uma ótima noite.

Pequenos atos de cortesia, podem mudar o dia de uma pessoa.
Por isso, nunca deixe de agir com simpatia, com medo de que
seja em vão. Cedo ou tarde, você será retribuído.

Isso, meus amigos, não é o acaso.

É sincronicidade.
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Oração

Eis-me aqui.

Como um soldado na trincheira, cansado e enfadado,
que encontra um pedaço de papel e carvão, e no meio
do cenário sujo e enlameado, resolve escrever para
desabafar, conversar, agradecer e fazer seus pedidos.

Deus,

Não posso pedir nada, sem antes me desculpar.
Minha intensão é sempre ser o melhor que posso ser,
mas muitas vezes, falo o que não deveria falar.
Faço o que não deveria fazer. Vou aonde não deveria ir.

Perdoe-me.

Mesmo que esteja me guiando, tropeço, desvio, saio da luz.
Porém, sua infinita bondade e amor, sempre me levantam,
me amparam, me limpam e põe-me a caminhar novamente.

Obrigado.

Deus,

Jamais desejarei a morte de alguém, mas sempre a cura.
Pois existem doenças talvez mais terríveis do que estas que
assolam nossa carne e que muitos estão adoecidos, mas não vêem.

Cure os mentirosos, os gananciosos, os impiedosos,
os que não conhecem o amor, os que não conhecem a paz.
Cure a falta de paciência e a ira desnecessária.

Deus,

Que um dia eu possa amar uma mulher, como meu pai ama minha mãe,
como meus avós se amaram e que seja a mais pura forma de amar.
Que um dia esta mulher seja a grande importância da minha vida e
que eu possa ser forte e sábio, para faze-la feliz também.
Que um dia ela seja mãe dos meus filhos e avó dos netos.

Deus,

Guarde a mim, minha família e meu amigos, que também são soldados,
combatentes, que buscam e desejam apenas que o dia termine
bem, em paz e com saúde. Que isto nunca venha faltar entre nós.
E se um dia faltar, que seja para nos fortalecer.

Àqueles que, por algum motivo, não creem em ti, estes também os
guarde e os ame. Não são pessoas ruins. Não merecem o sofrimento.
Ajude-os, mesmo que acreditem apenas em si mesmos.
Ilumine-os para que tenham uma vida próspera.

Deus,

Agradeço pelas batalhas vencidas, pelos presentes recebidos,
pela família a qual pertenço, pelos amigos de hoje, de ontem e
pelos que ainda virão. Agradeço pela paciência que me é dada.
Agradeço pela vida que me é concedida.

Não estou de joelhos, mas o coração está curvado em reverência,
em agradecimento, e humildemente faço notório meus pedidos.
Que eles possam ser atendidos, se assim for Tua vontade.

Mesmo que a guerra esteja sempre sob nossos pés,
que sejamos vitoriosos em muitas batalhas, mas que ao perecermos,
possamos encontrar o descanso em Teus braços.

Amém.
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Kryptonita

- Alô, por favor a Jéssica?

Batuco os pés como um baterista de Jazz enquanto espero.

- Alô, quem é?

- Oi, Jess. É o Júlio. Tudo bem?

- Oi, Ju. Estou bem e você?

- Estou bem, estou bem - Na verdade estava nervoso de suar as mãos,
mas tentei não transmitir isso. - Gostaria de te fazer um convite, mas você
só pode responder com "sim" ou "claro", ok?

- Lá vem o Júlio! - riu do outro lado. - Qual seria o convite?

- Gostaria de ir ao Parque no próximo final de semana contigo, Jess.
Podemos ir bem cedo, aproveitar o sol e conversarmos um pouco... O que acha?

Pausa dramática.

- Claro que sim, Jú!

A resposta me fez dormir pouco todas as noites até o dia combinado.

Como é possível ficar bem e se alimentar direito,
quando se está há poucas horas de pedir à uma garota que fique contigo?
Como vou falar? Quando saberei a melhor hora?
E se eu não conseguir? E se ela disser não?

Calma. Respire, Júlio.

Caminhamos bastante pelo Parque. O clima, apesar de quente,
estava agradável. Soprava um vento gélido nas sombras, refrescando
e acalmando corações atormentados.

- Podemos nos sentar ali, Jess?
- Boa ideia. Estou ficando cansada!

Sentamos sob uma árvore bem alta, de copa e tronco largos.

Me empenhei em fazer perguntas difíceis, só para observá-la falando.
Como eu estava apaixonado por ela! Sua risada, a mais gostosa de todas.
A voz soava como um bálsamo para meu coração afoito.
Gestos suaves que me faziam estar na presença de uma bailarina.

Ela concluiu sua fala sorrindo. Mesmo com o coração agitado,
olhei bem para àqueles olhos que eu tanto elogiava, respirei e disse:

- Jess, queria te falar o real motivo de tê-la trazido aqui.

- Estou ouvindo. - Disse, dando total atenção à mim.

- Faz três anos que nos conhecemos. Três anos que descobri como minha vida
parece vazia. Três longos anos me sentindo feliz somente quando você estava
por perto. Três anos temendo que sumisse da minha vida, para nunca mais voltar.
Três anos imaginando sua presença em todos os lugares que ia. E não posso
deixar que isso continue para a eternidade. Não posso deixar que isso passe de hoje.
Não posso continuar engolindo a vontade de dizer à você... que eu te amo.
Amo como jamais amei. Quero você pra mim hoje, amanhã e todos dias que
ainda me restam nesta vida.

Pausa.

Ela levou suas duas mãos ao rosto. Desabou a chorar.

Por um momento, senti que tinha feito algo incrivelmente errado.
Meu semblante caiu.

- Desculpe, Jess. Acho que não deveria ter dito estas coisas.

Ainda chorando, pegou na minha mão.
Olhou para mim e abriu um sorriso.
Meu coração ficou mais leve, porém, ela disse:

- Não, Júlio, não fez nada de errado, mas preciso que saiba de algo.

- Fale o que quiser, Jess. Estou ouvindo.

- Não posso gerar, Júlio. Sou estéril. Jamais poderei te dar uma família.
Este é o motivo de nunca ter me aproximado de ninguém e principalmente
de você. Sempre me diz que seu sonho é se casar, ter filhos, netos.
Como poderia realizá-lo comigo?

Se pôs a chorar novamente.

Naquele momento eu entendi que nem sempre nossos sonhos
se realizam como planejamos. E que isso não deixa de ser sonho.
Entendi que o amanhã é incerto demais para definirmos nosso futuro.

Dei um tempo para mim. Dei um tempo para ela.

Levantei sua cabeça e disse:

- Ei, porque está chorando? Seria tão triste assim passar o resto da
sua vida só comigo? Não sou tão insuportável assim.

Lágrimas misturadas com sorriso.

- Neste caso - continuei - Teremos muitos lugares pra conhecer. Poderemos
viajar para onde quisermos. Com o dinheiro das fraudas, gastaremos em bons
restaurantes. E veja só, não precisaremos decorar músicas infantis. Contudo,
se ainda insistir em querer estas coisas, podemos pensar em adoção e...

Me abraçou tão forte que pude sentir seu soluço no meu peito.

Naquele momento, aprendi que os melhores sonhos não são aqueles
que se faz sozinho, mas com alguém que ama de verdade.

Me largou e ainda olhando para mim, com o rosto vermelho e com os
caminhos das lágrimas em evidência, levou suas mãos ao meu rosto,
querendo tirar meus óculos. Interrompi e brinquei:

- Não, não pode tirar meus óculos. Você vai descobrir que sou o Superman.

Deu risada e disse, cedendo à brincadeira:

- Que problema, heim? Pois não sou a Mulher Maravilha.
Posso inclusive ser sua kryptonita. - Sorriu.

- Abdico de meus poderes para viver contigo.

Tirou meus óculos e me beijou.

Descobri o sabor do amor.
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Sonhar demais?

Ando confuso.

Ao mesmo tempo que sei o que quero, os acontecimentos
fazem com que me pergunte: O que eu realmente quero?
Mente e coração em uma batalha violenta.
Nunca chegando a um vencedor, muito menos num equilíbrio.

Afinal, o que o amor está reservando para mim?

Ao longo da nossa vida, somos apresentados à diversos
tipos, no meu caso, de garotas. Cada uma com suas manias,
jeitos, cabelos, caretas, voz, cor e etc.
Uma mais peculiar e encantadora que a outra.

Porque raios não me apaixonei por ela?

Já me fiz essa pergunta diversas vezes.
Garotas fantásticas, com características que me agradam
em vários pontos. Seriam excelentes companheiras.
Atenciosas, carinhosas e de bom papo.

A mente diz: Tente com ela.
O coração: Ainda não é ela.
A mente diz: O tempo te trará o amor.
O coração: Ainda não é ela.

Qual escutar, quando ambos parecem estar certos?

Ando confuso. Me chamaram de exigente.
Disseram que vou viver sozinho para sempre.
Até que sou medroso já ouvi. E pior...
...disseram que eu sonho demais.

Sonhar demais?

Eu não quero alguém apenas para me fazer cafuné.
Me acompanhar à uma festa ou evento.
Assistir filmes e ouvir música comigo.
Me ver tocar e ler meus textos.

Isso é bom, mas não é tudo.

Quero alguém para me importar, para lutar à favor.
Que a presença dela seja mais forte que o tocar.
Uma amiga, sim. Uma companheira, sim.
Mas alguém para a vida inteira.

Não, não quero alguém para idolatrar.

Eu só quero amar.

E não importa quem seja,
Desde que seja de verdade.
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